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Acidentes com cortadores de cana são notificados incorretamente, afirma engenheiro |
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13 de julho de 2006 |
Segundo o professor Francisco Alves, do departamento de engenharia da
Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), os trabalhadores cortavam em média, na década de 60,
cerca de duas toneladas de cana-de-açúcar por dia. Na década de 90,
esse número chega a 12 toneladas. Além do excesso de trabalho, o método
de remuneração aplicado, em que o trabalhador ganha por metro quadrado
cortado, tem feito com que as pessoas se esforcem além dos limites
físicos, gerando mutilações, paradas cardíacas e acidentes cerebrais
hemorrágicos.

(2´01´´ / 470 Kb) - As precárias condições de trabalho dos cortadores
de cana-de-açúcar vitimaram 416 pessoas no ano passado, somente no
estado de São Paulo. Os dados coletados pela Delegacia Regional do
Trabalho (DRT) não apontam as causas específicas das mortes, mas
segundo a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São
Paulo (Feraesp), ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), há
possibilidade de que as mortes sejam conseqüência de esforços físicos
em excesso, cansaço.
Para o professor Francisco Alves, do departamento de engenharia da
Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), muitos casos em que os
trabalhadores passam mal enquanto cortam cana não são notificados como
acidentes de trabalho. É o sistema da subnotificação.
“Ele [o trabalhador] se apresenta ao SUS [Sistema Único de Saúde]
passando mal, mas não como acidente de trabalho. Esses dias que ele vai
ficar em casa para se recuperar são pagos pelo SUS e não pelo
empregador. O sistema foi montado para que haja subnotificação mesmo. É
por isso que o setor patronal quando fala das mortes por excesso de
trabalho negam. Negam porque não querem assumir uma responsabilidade”.
Segundo Alves, os trabalhadores cortavam em média, na década de 60,
cerca de duas toneladas de cana-de-açúcar por dia. Na década de 90,
esse número chega a 12 toneladas. Além do excesso de trabalho, o método
de remuneração aplicado, em que o trabalhador ganha por metro quadrado
cortado, tem feito com que as pessoas se esforcem além dos limites
físicos, gerando mutilações, paradas cardíacas e acidentes cerebrais
hemorrágicos. Desde 1996, o valor do metro cortado continua o mesmo: R$
0,10. Geralmente o cortador leva cerca de nove horas para cortar 200
metros de cana.
De São Paulo, da Agência Notícias do Planalto, Clara Meireles
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