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Chico Whitaker foi homenageado por seu trabalho dedicado à justiça social PDF Imprimir E-mail
28 de setembro de 2006
Um dos idealizadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Francisco Whitaker Ferreira, da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP/CNBB), recebeu o prêmio Right Livelihood Award 2006, conhecido como o Nobel Alternativo. Segundo comunicado oficial do prêmio, Chico foi homenageado por seu trabalho de toda uma vida dedicado à justiça social, que fortaleceu a democracia brasileira e ajudou a dar luz ao Fórum Social Mundial, mostrando que um outro mundo é possível.

 Idealizador do MCCE vence Nobel Alternativo


Um dos idealizadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Francisco Whitaker Ferreira, da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP/CNBB), recebeu o prêmio Right Livelihood Award 2006, conhecido como o Nobel Alternativo.

 

Segundo comunicado oficial do prêmio, Chico foi homenageado por seu trabalho de toda uma vida dedicado à justiça social, que fortaleceu a democracia brasileira e ajudou a dar luz ao Fórum Social Mundial, mostrando que um outro mundo é possível.

O prêmio é outorgado desde 1980 pelo Parlamento Sueco para homenagear e apoiar aquelas pessoas que "trabalham na busca e aplicação de soluções para as mudanças mais urgentes que precisa o mundo atual".



RECONHECIMENTO

Chico Whitaker recebe 'prêmio Nobel alternativo'

Um dos iniciadores do processo Fórum Social Mundial, o ex-coordenador da Comissão Brasileira Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) receberá o prêmio de honra do Right Livelihood Award.

SÃO PAULO – Militante de longa data dos movimentos sociais e de base da Igreja Católica, ex-vereador de São Paulo pelo PT, exilado político, ex-coordenador da Comissão Brasileira Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB, da qual continua sendo membro) e um dos participantes da criação do Fórum Social Mundial (FSM), o arquiteto Francisco Whitaker Ferreira, ou Chico Whitaker, recebeu na última quinta-feira (28) o prêmio de honra do Right Livelihood Award, que será entregue em dezembro no Congresso sueco, um dia antes da cerimônia do Prêmio Nobel.

Conhecido como “Nobel alternativo”, o Right Livelihood Award não tem categorias (como medicina, literatura, paz etc.), mas visa reconhecer a obra completa de um grupo ou pessoa que tenham se destacado em áreas como paz e resolução de conflitos, meio ambiente, direitos humanos e civis, desenvolvimento, visão e alternativas para o futuro, saúde e reabilitação, ciência para a população, infância e educação, cultura e valores espirituais e proteção de minorias. Entre os agraciados pelo prêmio em anos anteriores, estão o teólogo brasileiro Leonardo Boff, Joseph Ki-Zerbo, o principal líder socialista de Burkina Faso, a indiana Vandana Shiva, uma das mais respeitadas ambientalistas da atualidade, e os brasileiros Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Dividido em um prêmio principal de honra e outro em dinheiro – US$ 230 mil, destinados a organizações ou ativistas que necessitam de recursos para o desenvolvimento de suas atividades –, o Right Livelihood Award é reconhecido e tem sido prestigiado por membros do governo sueco, embaixadores dos países de origem dos premiados e parlamentares dos principais partidos políticos do país.

Premiação
Para Whitaker, agraciado “por toda uma vida de trabalho por justiça social, que fortaleceu a democracia no país e ajudou a dar vida ao Fórum Social Mundial, mostrando que um outro mundo é possível”, o aspecto mais honroso do prêmio foi o fato de sua indicação ter partido de organizações indianas ligadas ao FSM.

“Isso tem um significado muito forte para mim, porque reforça a importância do Fórum Social Mundial e a leitura que faço dele como um espaço aberto de articulação da sociedade civil organizada”, diz Whitaker. E completa: “sei que o reconhecimento veio por toda uma vida de luta, mas para mim, aos 75 anos, o Fórum é a principal tarefa. Essa perspectiva merece um prêmio”.

Além de Whitaker, os premiados do ano de 2006 são o americano Daniel Ellsberg, ex-oficial do Pentágono que vazou informações secretas do governo para combater as mentiras sobre a Guerra do Vietnã, Ruth Manorama, a mais importante liderança da luta pelos direitos dos Dalits (casta dos excluídos) na Índia, e o Festival Internacional de Poesia de Medellín, Colômbia, “por mostrar que a beleza, a criatividade, a livre expressão podem florescer no meio e modificar profundamente o medo e a violência”.

Nobel Alternativo para brasileiro

Por Lisa Söderlindh

Estocolmo, 29/09/2006 – O brasileiro Chico Whitaker Ferreira, um dos pioneiros do Fórum Social Mundial (FSM), figura entre os que ganhadores do prêmio Nobel Alternativo. Outros premiados pela Fundação para a Maneira Correta de Viver (Right Livelihood Award Foundation) foram o denunciante norte-americano da guerra do Vietnã, Daniel Ellsberg, e a ativista indiana dos direitos dos dalits (casta inferior do hinduísmo), Ruth Manorama. Ferreira, um ativista católico, ganhou o prêmio na categoria honorária “por uma vida dedicada a trabalhar pela justiça social que fortaleceu a democracia no Brasil e ajudou a dar vida ao FSM, demonstrando que outro mundo é possível”.

Os prêmios anuais para a Maneira Correta de Viver, também chamados de Nobels Alternativos e criados em 1980, homenageiam os pioneiros pela justiça, a verdade a consolidação da paz na América do Norte, América do Sul e Ásia. Os premiados foram anunciados nesta quinta-feira em Estocolmo pelo criador do prêmio, o sueco-alemão Jacob von Uexkull, filatelista profissional e ex-integrante do Parlamento Europeu. “Os ganhadores demonstraram como a coragem individual, mesmo enfrentando a repressão e interesses poderosos, pode conseguir mudanças importantes’, disse Uexkull.

O primeiro Fórum Social Mundial, reunião anual de organizações da sociedade civil que busca uma alternativa para o atual processo de globalização, aconteceu na cidade de Porto Alegre em 2001. Em 2006, foi realizado em diferentes fases em várias cidades do mundo, entre elas Caracas, Bamako e Carachi. “Este prêmio indica que o trabalho do FSM é necessário, e me anima e aos outros, a assumir um compromisso neste tipo de tarefa”, disse Ferreira à IPS. O ativista trabalhou toda sua vida pela democratização do Brasil e contra a corrupção. Uma vez imerso nessa luta, afirmou, é impossível pisar no freio. “Quando se vê injustiça e desigualdade social e a situação econômica brasileira, não é possivel continuar vivendo como se nada acontecesse”, explicou.

Os prêmios honorários estão dotados de dois milhões de coroas suecas (US$ 275 mil), divididos entre os três ganhadores eleitos entre uma lista de 73 nomes procedentes de 40 países. Daniel Ellsberg, funcionário do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que em 1971 vazou para o público informação sobre os enganos do governo de Richard Nixon sobre a guerra do Vietnã (Os chamados “papéis do Pentágono”), foi premiado por “priorizar a verdade, enfrentando um considerável risco pessoal, e dedicar sua vida a inspirar outros a seguirem seu exemplo”. As relevâncias de Ellsberg ajudaram a por fim à guerra do Vietnã. O ativista foi preso e acusado de 12 delitos, sendo absolvido em 1973.

“Este reconhecimento é maravilhoso, 35 anos depois de ser reconhecido pelo governo do meu país com uma acusação judicial. Isto me permitirá seguir adiante com meu trabalho no Projeto Dizer a Verdade”, disse Ellsberg à IPS. Está organização iniciou suas atividades com a publicação em 2003 de uma coluna de opinião no jornal The New York Times às vésperas da guerra do Iraque. Onze ex-funcionários participaram de seu lançamento.

A carta que assinaram chamaram de “a delação patriótica” e permitiu conseguir grande destaque para a Coalizão de Denunciantes da Segurança Nacional, na qual hoje participam mais de 60 funcionários. “Temos a possibilidade de impedir uma catástrofe antes que seja muito tarde”, afirmou Ellsberg, se referindo a um possível ataque dos Estados Unidos contra o Irã. Para impedir isso, “há gente no governo atual capaz de por em risco suas carreiras e, inclusive, ir para a prisão”, disse.

Ao ser anunciado seu prêmio, a indiana Ruth Manorama foi considerada “a mais eficaz organizadora do subcontinente (indiano) em atividade de defesa das mulheres dalit”. Manorama disse à IPS que trabalhou muitas décadas pela igualdade das mulheres dalit, casta com 200 milhões de membros na Índia que costumam ser qualificados de “intocáveis”. A ativista disse que usará o dinheiro do prêmio para divulgar sua atividade internacionalmente. “As mulheres dalit são, sem dúvida, as mais pobres entre os pobres, o mais baixo das castas inferiores”, assegurou. Calcula-se que as dalit constituem 16,3% da população feminina da Índia. Elas não sofrem apenas opressão como conseqüência de pertencer a uma classe e casta, mas também a desigualdade de gênero derivada do patriarcado, afirmou Manorama.

O prêmio também foi concedido ao Festival Internacional de Poesia de Medellín, que ajudou a consolidar a paz nesta cidade colombiana, uma das mais violentas do mundo. Uma conferência de imprensa para os premiados acontecerá no dia 6 de dezembro em Estocolmo, e os prêmios serão entregues no Parlamento sueco dois dias depois. (IPS/Envolverde)

Legenda: Chico Whitaker Ferreira
(Envolverde/ IPS)


 
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