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Padre apresenta documentos que comprovam maus-tratos a moradores de rua em Paranaguá PDF Imprimir E-mail
17 de outubro de 2006
O padre Adelir Antonio de Carli, que denunciou maus-tratos e expulsão de moradores de rua da cidade de Paranaguá, no litoral do estado, entregou ontem (16) ao secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, novos documentos que comprovam os crimes. O secretário municipal de Segurança e quatro guardas da cidade de Paranaguá estão presos na capital desde a semana passada, acusados de tortura e abuso de autoridade. Segundo inquérito concluído pela Polícia Civil, os guardas municipais retiravam moradores de rua e os torturavam


 

Lúcia Nórcio
Repórter da Agência Brasil

 

Curitiba - O padre Adelir Antonio de Carli, que denunciou maus-tratos e expulsão de moradores de rua da cidade de Paranaguá, no litoral do estado, entregou ontem (16/10) ao secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, novos documentos que comprovam os crimes.

Os documentos são um vídeo, em que o secretário de Segurança Municipal de Paranaguá, sargento Álvaro Domingues Neto, alega durante sessão na Câmara de Vereadores que o vice-prefeito da cidade teria conhecimento do "transporte" de mendigos para fora da cidade, e a foto de um morador de rua que teria sido agredido a coronhadas por um guarda municipal.

Delazari convidou o padre para também assinar o ofício a ser enviado à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA), com informações sobre a violação de direitos humanos. "Precisamos de toda a força possível, porque nossa meta é resguardar a dignidade humana e queremos ainda servir de exemplo para que outras comunidades não tenham medo de enfrentar seus problemas", disse o padre.

Ele pediu ainda que fosse investigada razão da demora da Prefeitura de Paranaguá em responder a um ofício que relata as denúncias de maus-tratos contra os moradores de rua.

O secretário municipal de Segurança e quatro guardas da cidade de Paranaguá estão presos na capital desde a semana passada, acusados de tortura e abuso de autoridade.

Segundo inquérito concluído pela Polícia Civil, os guardas municipais retiravam moradores de rua e os torturavam, para depois deixá-los em um bairro da periferia de Curitiba e também na cidade de Registro, em São Paulo. Ainda estão foragidos da polícia três guardas municipais que teriam participado dos crimes.


Audiência pública vai discutir violência contra moradores de rua no Paraná


Lúcia Nórcio
Repórter da Agência Brasil

 

Curitiba - As agressões a moradores de rua de Paranaguá, no litoral do Paraná, serão discutidas na próxima semana em audiência pública convocada pelo Conselho Permanente de Direitos Humanos, vinculado à Secretaria estadual da Justiça e Cidadania. A decisão foi tomada hoje (17) durante reunião extraordinária do conselho.

Segundo o secretário de Segurança Pública do estado, Luiz Fernando Delazari, trata-se de um caso gravíssimo de afronta aos direitos humanos e à dignidade do ser humano sem precedentes, e a população precisa saber que isso é crime e que não pode ser referendado por pessoas de bem da cidade de Paranaguá.

O caso foi denunciado há cerca de cinco meses. Entre os acusados de torturar e expulsar da cidade dez moradores de rua, estão o secretário municipal de Segurança, Álvaro Domingues Neto, e dez guardas municipais. O padre Adelir Antônio de Carli, que fez as denúncias, também participou da reunião de hoje.

A Secretaria da Segurança Pública vai comunicar o fato ao Ministério da Justiça, à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA), incluindo uma cópia do inquérito policial para que as respectivas comissões de direitos humanos acompanhem as investigações e punição dos responsáveis. A seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná está acompanhando as investigações

O coordenador da organização não-governamental (ONG) Terra de Direitos, Leandro Franklin, que também participou da reunião, disse que a audiência pública deverá ter caráter pedagógico, de esclarecimento aos moradores de que há  necessidade premente de respeito aos direitos humanos e resgate da cidadania de qualquer pessoa, incluindo os moradores de rua.

 
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