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Curitiba
- O padre Adelir Antonio de Carli, que denunciou maus-tratos e expulsão
de moradores de rua da cidade de Paranaguá, no litoral do estado,
entregou ontem (16/10) ao secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando
Delazari, novos documentos que comprovam os
crimes.
Os documentos são um vídeo, em que o secretário de
Segurança Municipal de
Paranaguá, sargento Álvaro Domingues Neto, alega durante sessão na
Câmara de Vereadores que o vice-prefeito da cidade teria conhecimento
do "transporte" de mendigos para fora da cidade, e a foto de
um morador de rua que teria sido agredido a coronhadas por um
guarda municipal.
Delazari convidou o padre para também
assinar o ofício a ser enviado à Organização das Nações Unidas (ONU) e
à Organização dos Estados Americanos (OEA), com informações sobre a
violação de direitos humanos. "Precisamos de toda a força possível,
porque nossa meta é resguardar a dignidade humana e queremos ainda
servir de exemplo para que outras comunidades não tenham medo de
enfrentar seus problemas", disse o padre.
Ele pediu ainda que fosse investigada razão da demora da Prefeitura de Paranaguá em responder a um ofício que relata as
denúncias de maus-tratos contra os moradores de rua.
O
secretário municipal de Segurança e quatro guardas da cidade de
Paranaguá estão presos na capital desde a semana passada, acusados de
tortura e abuso de autoridade.
Segundo inquérito concluído pela Polícia
Civil, os guardas municipais retiravam moradores de rua e os torturavam, para depois deixá-los em um bairro da periferia de
Curitiba e também na cidade de Registro, em São Paulo. Ainda estão foragidos da
polícia três guardas municipais que teriam participado
dos crimes.
Audiência pública vai discutir violência contra moradores de rua no Paraná
Lúcia Nórcio
Repórter da Agência Brasil
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Curitiba - As agressões a moradores de rua de
Paranaguá, no litoral do Paraná, serão discutidas na próxima semana em
audiência pública convocada pelo Conselho Permanente de Direitos
Humanos, vinculado à Secretaria estadual da Justiça e Cidadania. A
decisão foi tomada hoje (17) durante reunião extraordinária do conselho.
Segundo
o secretário de Segurança Pública do estado, Luiz Fernando Delazari,
trata-se de um caso gravíssimo de afronta aos direitos
humanos e à dignidade do ser humano sem precedentes, e a
população precisa saber que isso é crime e que não pode ser referendado
por pessoas de bem da cidade de Paranaguá.
O caso foi denunciado há cerca de cinco
meses. Entre os acusados de torturar e expulsar da cidade dez moradores
de rua, estão o secretário municipal de Segurança, Álvaro Domingues
Neto, e dez guardas municipais. O padre Adelir Antônio de Carli, que
fez as denúncias, também participou da reunião de hoje.
A Secretaria da Segurança Pública vai
comunicar o fato ao Ministério da Justiça, à Organização das Nações
Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA), incluindo
uma cópia do inquérito policial para que as respectivas comissões de
direitos humanos acompanhem as investigações e punição dos
responsáveis. A seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no
Paraná está acompanhando as investigações
O coordenador da organização
não-governamental (ONG) Terra de Direitos, Leandro Franklin, que também
participou da reunião, disse que a audiência pública deverá ter caráter
pedagógico, de esclarecimento aos moradores de que há necessidade
premente de respeito aos direitos humanos e resgate da cidadania de
qualquer pessoa, incluindo os moradores de rua. |
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