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O legado de Zumbi PDF Imprimir E-mail
18 de novembro de 2006
ossaeÀs vésperas do Dia Nacional da Consciência Negra, reflita sobre a contribuição desse povo para as artes, ciências, literatura e política. A contribuição da população negra nas artes, ciências e política brasileira é marcante e está ganhando cada vez mais espaço em todas as áreas. Personagens negros fizeram história no país e até hoje têm importantes papéis na cultura e no governo. Eles reforçam a idéia de que o preconceito não está com nada, e o que importa é a capacidade de cada um. Na próxima segunda-feira será comemorado o Dia Nacional da Consciência Negra, lembrado todo dia 20 de novembro.

 

 Correio Braziliense

 

A contribuição da população negra nas artes, ciências e política brasileira é marcante e está ganhando cada vez mais espaço em todas as áreas. Personagens negros fizeram história no país e até hoje têm importantes papéis na cultura e no governo. Eles reforçam a idéia de que o preconceito não está com nada, e o que importa é a capacidade de cada um. Na próxima segunda-feira será comemorado o Dia Nacional da Consciência Negra, lembrado todo dia 20 de novembro. Essa foi a maneira escolhida para homenagear a história dos negros no Brasil e o líder Zumbi dos Palmares.

Desde 1971 essa data é celebrada, e há três anos foi colocada em prática uma lei que a inclui no calendário escolar. Foi em 20 de novembro de 1695 que Zumbi foi morto em Pernambuco, lutando pela libertação dos escravos. Ele morava no Quilombo dos Palmares, um lugar onde viviam os escravos negros que conseguiam escapar das fazendas, onde eram obrigados a trabalhar sem receber salário e em péssimas condições.

O sonho de Zumbi era que todos os escravos pudessem viver e trabalhar como os brancos, mas isso só aconteceu em 1888. Atualmente, a escravidão é proibida no Brasil e os quilombos não abrigam mais refugiados, e sim descendentes dos negros que moravam no país antigamente. De acordo com levantamento da Fundação dos Palmares, ainda existem cerca de 743 comunidades quilombolas, que mantêm as tradições afro-brasileiras.


Eles brilham
Zuleika de Souza/CB - 19/10/06
 
 

Matilde Ribeiro
A Ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial já fez parte do Movimento Negro e trabalha pela conscientização da população.

“Hoje em dia temos muitos representantes da população negra na política, seja em ministérios ou outras áreas do governo. É importante que as crianças e jovens tenham essas referências e vejam que a política deve refletir a sociedade, e a sociedade é formada por todos os tipos de pessoas. O Brasil é um país que ainda tem muita desigualdade, precisa haver uma mudança na postura das pessoas. Precisamos ter exemplos dentro das nossas famílias, nas universidades e no governo, e as crianças também devem fazer parte desse aprendizado.”


Divulgação/Nickelodeon - 17/8/05
 
 

Jacarezinho
Com apenas 13 anos, o garoto faz o maior sucesso apresentando o programa Patrulha Nick e reconhece a importância de seu papel na televisão.

“Eu gosto muito de trabalhar na TV e sei que estou representando a população negra, o que é importante. Isso é muito legal porque as crianças se identificam com os atores negros que aparecem nos programas e entendem que devem se orgulhar disso. Existem várias pessoas negras trabalhando na televisão e acho que isso deve aumentar ainda mais com o tempo. Vou fazer uma apresentação em comemoração ao Dia da Consciência Negra para representar a nossa raça, acho que vai ser muito bom para as crianças aprenderem mais sobre isso.”


Zé Paulo Cardeal/TV Globo
 
 

Nathalye Ambrósio
A estrela-mirim do seriado Antônia, quea Rede Globo começou a exibir ontem, tem 6 anos e já sabe que é preciso valorizar a cultura negra, principalmente o hip- hop.

“Eu comecei a ser atriz fazendo a personagem Emília no filme Antônia, que depois virou o seriado. No programa, a minha personagem mora em um bairro pobre e adora cantar rap, um tipo de música que eu nunca tinha escutado e virou o meu preferido. A gente nunca vê alguém cantando rap na televisão, achei legal fazer um seriado sobre isso porque mostra a vida desses artistas que pouca gente conhece. Quando outras crianças assistirem ao programa, elas vão ver que também podem ser atores ou cantores, acho que isso é importante.”


Márcio de Souza/TV Globo - 10/10/06
 
 

Jorge de Sá
Atualmente, o ator apresenta o programa Mandou Bem e faz o papel do Salvador na novela Páginas da Vida. Para ele, precisamos ter igualdade independentemente .

“São poucos os jovens negros que conseguem a chance que estou tendo agora, sei que tenho muita responsabilidade. Estou representando uma legião de pessoas e a luta delas na televisão. As coisas estão mudando, estão sendo dadas mais oportunidades para os negros, as pessoas estão mais conscientes. Acho que meu papel é um incentivo para as crianças porque elas se identificam com o personagem e entendem que se ele está em um bom lugar, elas também podem chegar lá. Para que as coisas mudem na ficção, elas têm que mudar na vida real.”


Grandes nomes
SuperFilmes/Divulgação
 
 

Pixinguinha (1897 – 1973)
O apelido de Alfredo da Rocha Filho tem uma história engraçada. Ele era chamado pelo avô de Pizindim, que significa &quotmenino bom" em um dialeto africano. Quando ainda era criança, pegou uma doença chamada varíola e começou a ser chamado de Bexiguinha. A combinação dos dois nomes gerou o apelido Pixinguinha, pelo qual o o músico é conhecido até hoje. Desde pequeno ele teve contato com a música, e em 1911 já tocava em bailes e quermesses. Ele era presença garantida em carnavais, peças de teatro e orquestras, surpreendendo as platéias com o som de sua flauta. Pixinguinha compôs sambas e chorinhos famosos, como Carinhoso, Samba de nego e Ai, eu queria.


Embrafilme/Divulgação
 
 

Grande Otelo (1915 – 1993)
Com apenas 10 anos de idade, o ator foi para o Rio de Janeiro fazer sua estréia na peça O tesouro da Serra Morena, e aprendeu um pouco de música e canto na cidade. Sua carreira artística começou a ganhar visibilidade em 1937, quando atuou na peça Maravilhosa. Ele chegou a cantar com Carmen Miranda e fez comédias musicais com Oscarito. Grande Otelo participou de filmes importantes, como Rio 40 Graus e Macunaíma.



Reprodução da Internet/Google
 
 

Heitor dos Prazeres (1898 – 1966)
O artista plástico carioca era filho de um marceneiro e decidiu seguir a carreira do pai, trabalhando como lustrador de madeira. Começou a tocar cavaquinho e compor músicas logo cedo, pois participava de rodas e escolas de samba. Esse era o tema principal de suas primeiras pinturas, que tinham como personagens malandros e mulatas. Heitor participou da 1ª Bienal de Arte de São Paulo com o quadro Moenda, e a partir daí levou suas obras a diversas exposições de arte.


Reprodução da Internet/Google
 
 

Lima Barreto (1881 – 1922)
O escritor brasileiro nasceu no Rio de Janeiro, onde estudou e começou a cursar a faculdade de engenharia. Em 1904 ele começou a escrever a primeira versão do romance Clara dos Anjos, que só foi publicado anos depois. Seu trabalho não era reconhecido pelas pessoas daquela época e ele costumava criticar os hábitos da sociedade. No livro Recordações do escrivão Isaías Caminha, o personagem principal é negro, pobre e vive em um meio injusto, situação igual a de muitas pessoas atualmente.


Zuleika de Souza/CB/Reprodução - 22/9/98
 
 

Machado de Assis (1839-1908)
Um dos mais importantes escritores brasileiros, Machado de Assis deixou obras clássicas, muito populares até hoje. Alguns desses livros foram traduzidos para várias línguas, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Quixote. O escritor participou da criação da Academia Brasileira de Letras e teve parte de sua obra publicada em grandes jornais e revistas da época.



Baltazar Câmara/Reprodução
 
 

Joaquim Nabuco (1849 – 1910)
Formado em direito, o jurista foi também escritor, diplomata e político. Ele defendia o fim da escravidão e fundou uma publicação chamada O Abolicionista, que tratava da emancipação dos escravos. Em viagem à Europa, pediu ao papa Leão XIII um ato pessoal pela libertação dos escravos.



Túlio M ugnaini/Reprodução
 
 

André Rebouças (1843 – 1898)
Nascido na Bahia, André Rebouças estudou engenharia e foi responsável por grandes obras ferroviárias, portuárias e de saneamento na época em que o Brasil ainda tinha províncias. Ele defendeu o fim da escravidão e, ao lado de Joaquim Nabuco, criou o Centro Abolicionista da Escola Politécnica, onde foi professor.


Para saber mais
Sylvia Mielnik/Nelson Mielnik/Reprodução
 
 

Dicionário escolar afro-brasileiro

Nei Lopes
Selo Negro Edições
176 páginas
R$ 29,90


Editora FTD/Divulgação
 
 

Luana, a menina que viu o Brasil neném

Aroldo Macedo e Oswaldo Austino
Editora FTD
48 páginas
R$ 16,90


Rex Design/Editora Ática
 
 

Cidadania em preto e branco

Maria Aparecida S. Bento
Editora Ática
80 páginas
R$ 20,90

 
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