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Nível de escolaridade é três anos menor entre os mais pobres
| Nível de escolaridade é três anos menor entre os mais pobres |
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| 31 de março de 2007 | |
O estudo mostra que a população pobre possui três vezes mais analfabetos (19,4%) do que os 20% mais ricos (59%). E que não são apenas as desigualdades sociais que marcam presença. Enquanto 5,9% da população da região Sul do País é de analfabetos, 21,9% da população do Nordeste encontra-se na mesma situação -ou seja, quatro vezes mais.
Fernando Moreira Leal - Agência de Notícias Todos Pela Educação O nível de escolaridade no Brasil é muito baixo: 7 anos, em média. Não bastasse isso, verifica-se uma desigualdade evidente: os 20% mais pobres da população possuem apenas 4,8 anos de escolaridade, em média, diante de 7,7 anos de escolaridade dos 20% mais ricos. Dessa maneira, a Educação pública reproduz a pobreza em vez de ser um meio para redução das desigualdades no País. “Existe um ciclo vicioso entre desigualdade educacional e desigualdade social. Uma alimenta e reforça a outra. Para resolver a Educação, é preciso melhorar as condições sociais e já se sabe que melhor Educação pode levar a melhorias sociais”, analisa Anna Peliano, diretora de Políticas Sociais do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea). “A Educação não se resolve só pela Educação. Não há solução isolada”, garante. Anna Peliano integra o Comitê Técnico do Observatório da Equidade do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que recentemente divulgou o relatório “As Desigualdades na Educação no Brasil”, que traz à tona esses e outros dados relevantes para o entender a Educação no Brasil. O estudo mostra também que a população pobre possui três vezes mais analfabetos (19,4%) do que os 20% mais ricos (59%). E que não são apenas as desigualdades sociais que marcam presença Educação. Enquanto 5,9% da população da região Sul do País é de analfabetos, 21,9% da população do Nordeste encontra-se na mesma situação -ou seja, quatro vezes mais. Também a qualidade da Educação está distribuída de forma desigual. Na média, o Brasil apresenta 4,8% de alunos de 4ª série com desempenho adequado em língua portuguesa, de acordo com o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica). No Sudeste, essa proporção é quase o dobro: 7,7%. Mas, ao mesmo tempo, ela é baixíssima no Norte, com apenas 1,7% das crianças apresentando resultados adequados. Recursos desiguais “Nas regiões Norte e Nordeste a oferta de professores, por exemplo, é de menor qualidade e esses professores acabam recebendo salários mais baixos”, afirma Sérgio Haddad, presidente da ONG Ação Educativa, que acaba de concluir o estudo “Educação e Exclusão no Brasil”. A principal conclusão do trabalho é a de que o sistema de Educação pública no Brasil não atende de maneira igual a todos os brasileiros, e isso passa pela distribuição de recursos financeiros, físicos e humanos.Na opinião de Ana Peliano, a solução inclui tratar desigualmente os desiguais. Por exemplo: não basta construir uma escola, é fundamental oferecer transporte escolar para quem mora distante e, desse modo, evitar que apenas a população vizinha seja beneficiada. Haddad concorda e aponta a necessidade de políticas compensatórias para combater as desigualdades sociais e regionais.
Veja a íntegra dos estudos: |
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