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Ataque de milicias armadas da Syngenta deixa mortos e feridos PDF Imprimir E-mail
21 de outubro de 2007
keno2ASSASSINATO DE SEM TERRA. Durante um ataque de uma milícia com cerca de 40 pistoleiros (não sabemos se eram da NF segurança) ao acampamento do campo de experimento da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, 'as 13h30, de domingo (21), o militante da Via Campesina, Valmir Mota (Keno) - foto - foi assassinado durante o ataque de uma milícia armada, contra os camponeses acampados na área da multinacional Syngenta, em Santa Tereza do Oeste. No ataque mais 5 trabalhadores foram feridos. Keno que era casado, deixa mulher e dois filhos pequenos, de sete e oito anos. Ele fazia parte da coordenação estadual do MST e começou sua militância no movimento, em 1990, na região Oeste do Paraná. Em 1994, se mudou para Brasília, ajudando a organizar o MST naquele Estado. Em 2001, voltou para região Oeste, onde continuou a militância em vários locais, na Brigada Teixeirinha. Atualmente, morava no acampamento Sete de Setembro, em Cascavel.

 

Os feridos Gentil Carreto Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos arretos, Izabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin, foram encaminhados para os hospitais da região.

syngenta A área da Syngenta foi reocupada na manhã de hoje (21), por cerca 150 pessoas da Via Campesina. O campo de experimento da empresa havia sido ocupado pelos camponeses em março de 2006, para denunciar o cultivo ilegal de reprodução de sementes transgênicas de soja e milho. A ocupação tornou os crimes da transnacional conhecidos em todo o mundo.

Após 16 meses de resistência no dia 18 de julho, deste ano, as 70 famílias desocuparam a área, se deslocando para um local provisório no assentamento Olga Benário, também em Santa Tereza do Oeste.

Na reocupação os trabalhadores rurais soltaram fogos de artifício e os seguranças, que estavam na fazenda abandoram o local. Por volta da 13h30 um micro ônibus parou em frente ao portão de entrada, uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemento armados, desceu atiravando em direção as pessoas que se encontravam no local. Arrombaram o portão, executaram o militante Valmir Mota com dois tiros, balearam outras seis agricultores e espancaram Isabel do Nacimento de Souza, que encontra-se hospitalizada gravemente ferida.

A Syngenta contrava serviços de segurança que atuavam de forma irregular na região articulados com a SRO/MPR. Uma das diretoras da empresa de segurança NF, foi presa e o proprietário fugiu preso durante uma operação da Polícia Federal no mês de outubro, onde foram apreendidos munições e armas ilegais.

Há indícios de que a empresa é contratada de fachada, e que na hora das operações são contratados mais seguranças forma ilegal, formando uma milicia armada que atua praticando despejos violentos e ataques a acampamentos na região.

Na última quinta-feira (18), a denúncia da atuação de milicias armadas ligadas á SRO/MPR e Syngenta na região Oeste foi reforçada durante uma audiência pública, com a coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal dos Deputados (CDHM), em Curitiba.

A Via Campesina cobra da justiça a apuração do ataque, contra os trabalhadores do acampamento e juntamente com o assentamento Olga Benário continuam lutando para transformar a área num Centro de Agroecologia e de reprodução de sementes crioulas para a agricultura familiar e reforma agrária.

Os moradores do assentamento Olga Benário, que faz divisa com a área de experimento da Syngenta, também são contra os experimentos transgênicos no local, que vai contaminar a produção de sementes crioulas do assentamento, e trazer prejuízos para a alimentação, a saúde e o meio ambiente.

Via Campesina


Informações à imprensa(41) 84119794 - Solange (MST) Ana Carolina (assessoria de imprensa Terra de Direitos ) (41)92259055

 Militante do MST executado por milícia armada será enterado hoje

O corpo do militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e membro da Via Campesina, Valmir Mota de Oliveira, 42 anos (conhecido como Keno), executado por uma milícia armada, com dois tiros no peito, ontem (21), está sendo velado no acampamento 1° de Agosto, em Cascavel, na região Oeste do Paraná.

O enterro será às 16h30, no Cemitério do bairro Guarujá, em Cascavel.

keno Keno foi assassinado durante o ataque de uma milícia armada, contra os camponeses acampados na área da multinacional Syngenta, em Santa Tereza do Oeste. No ataque mais 5 trabalhadores foram feridos.

Keno que era casado, deixa mulher e dois filhos pequenos, de sete e oito anos. Ele fazia parte da coordenação estadual do MST e começou sua militância no movimento, em 1990, na região Oeste do Paraná. Em 1994, se mudou para Brasília, ajudando a organizar o MST naquele Estado. Em 2001, voltou para região Oeste, onde continuou a militância em vários locais, na Brigada Teixeirinha. Atualmente, morava no acampamento Sete de Setembro, em Cascavel.

Hoje (22), a Via Campesina soltou Nota á Imprensa informando que após a reocupação nenhum refém foi mantido no local, ao contrário do que a Rede Globo informou. Segue nota na Íntegra:

Informações á imprensa: (41) 3324 7000/84119794-Solange / (41) 92259055 -

Ana Carolina / (41)96765239 - Jakeline

NOTA 'a IMPRENSA - 22/10/07

Milícia armada ataca acampamento da Via Campesina e executa militante

Após reocupação nenhum refém foi mantido no local, ao contrário do que a Rede Globo informou.

Ontem (21), por volta das 13h30, o acampamento da Via Campesina, no campo de experimentos transgênicos da Syngenta, em Santa Tereza do Oeste (PR), foi atacado por uma milícia armada. No massacre o militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e membro da Via Campesina, Valmir Mota de Oliveira, 42 anos (conhecido como Keno), foi executado à queima roupa com dois tiros no peito. Os trabalhadores Gentil Couto Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos, Izabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin foram gravemente feridos.

Diante dos acontecimentos a Via Campesina faz os seguintes esclarecimentos:

1. A reocupação da área da Syngenta aconteceu às 6h de ontem (21), por cerca 150 agricultores. Na ação os trabalhadores rurais soltaram fogos de artifício. No momento havia quatro seguranças na área. Uma das armas dos seguranças foi disparada e feriu um trabalhador, que foi hospitalizado. Os agricultores desarmaram os seguranças, que em seguida abandonaram o local.

As armas foram apreendidas para serem entregues para a polícia.

2. Por volta da 13h30, um ônibus parou em frente ao portão de entrada e uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados desceu metralhando as pessoas que se encontravam no acampamento. Eles arrombaram o portão, executaram o militante Keno com dois tiros no peito, balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de Souza, que continua hospitalizada em estado grave.

3. A milícia atacou o acampamento para assassinar as lideranças e recuperar as armas ilegais da empresa NF Segurança, que foram apreendidas pelos trabalhadores. Os dirigentes do MST Celso Barbosa e Célia Aparecida Lourenço chegaram a ser perseguidos pelos pistoleiros, mas conseguiram escapar durante o ataque.

4. A Syngenta utilizava serviços de uma milícia armada, que agia através da empresa de fachada NF Segurança, em conjunto com a Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR), ligado ao agronegócio.

5. A denúncia da atuação de milícias armadas na região Oeste do Paraná foi reforçada durante uma audiência pública, na última quinta-feira (18), para a coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal dos Deputados (CDHM), em Curitiba (PR). Os dirigentes do MST, inclusive Keno, já vinham sendo ameaçados há mais de seis meses, pelas milícias que estavam a serviço do consórcio SRO/MPR/Syngenta. Um inquérito havia sido aberto para apurar as denúncias contra a Syngenta e a NF Segurança.

6. A Rede Globo vem sustentando em suas reportagens que a Via Campesina teria mantido reféns durante a reocupação. A versão da Rede Globo e de outros veículos da grande imprensa têm como objetivo criminalizar os movimentos sociais e retirar de foco o ataque realizado pela milícia da Syngenta, que executou um trabalhador e deixou outros feridos. A Via Campesina esclarece que não houve, em nenhuma hipótese, reféns durante a ocupação.

7.A Via Campesina exige punição dos responsáveis pelos crimes – principalmente os mandantes –, a desarticulação da milícia armada na região e o fechamento imediato da empresa de segurança NF. Além da garantia de segurança e proteção das vidas dos dirigentes Celso e Célia, e de todos os trabalhadores da Via Campesina, na região.

8.Os camponeses seguem na luta para que a área de experimentos ilegais de transgênicos da Syngenta seja transformada em Centro de Agroecologia e de reprodução de sementes crioulas para a agricultura familiar e a Reforma Agrária.

Histórico – O campo de experimento da Syngenta havia sido ocupado pelos camponeses em março de 2006 para denunciar o cultivo ilegal de sementes transgênicas de soja e milho. A ocupação tornou os crimes da transnacional conhecidos em todo o mundo. Após 16 meses de resistência, no dia 18 de julho deste ano, as 70 famílias desocuparam a área, se deslocando para um local provisório no assentamento Olga Benário, também em Santa Tereza do Oeste (PR).

VIA CAMPESINA

Leia também

Notas de Solidariedade

Clique aqui para ler o Relatório de Denúncias encaminhado a CDHM

Histórico da violência das Milícias Privadas na Região Oeste do Paraná

Milícia armada ataca acampamento da Via Campesina e executa militante

Organizações de Direitos Humanos responsabilizam Syngenta pelo assassinato e cobram providências do Governo Brasileiro.

Na tarde de hoje, organizações de Direitos Humanos de todo o Brasil enviaram carta ao Ministério da Justiça e ao Governador do Estado do Paraná, Roberto Requião, responsabilizando a empresa transnacional Syngenta Seeds pela tragédia ocorrida em Santa Tereza do Oeste.

Para as organizações, a transnacional Syngenta Seeds deve ser responsabilizada pelos fatos ocorridos, pois apesar de conhecer a questão agrária brasileira, em que a atuação das milicias privadas no campo é uma das maiores causas da violência contra trabalhadores rurais, a Syngenta contratou, pagou e determinou que uma "empresa de segurança" atacasse os trabalhadores acampados no Campo Experimental em que a transnacional desenvolvera experimentos ilegais até março de 2006, admitindo o risco de que ocorressem violações de Direitos Humanos.;

As organizações lembram que este não foi o primeiro ato de violência cometido pela transnacional. Em 20 de julho, famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Assentamento Olga Benário, localizado ao lado do Campo Experimental foram gravemente ameaçadas por seguranças armados, contratados pela Syngenta. Um inquérito policial foi instaurado na ocasião, mas nenhuma providência foi tomada.

O fato foi denunciado e a Polícia Federal realizou uma operação em que chegou a ser presa, sob acusação de porte de armas e munições ilegais, uma das proprietárias da empresa de Segurança, srª Maria Ivanete Campos de Freitas. Um inquérito policial (383/07) foi instaurado para apurar os fatos. Conforme informação da Policia Federal, assinada pelo Delegado José Alberto de Freitas Iegas, a maioria das pessoas contratadas pela empresa NF não têm capacitação/autorização para atuarem como seguranças particulares, agindo assim na ilegalidade, e, inclusive, conforme consta nos depoimentos dos integrantes do Movimento Sem Terra, vários deles vem incorrendo no crime de Porte ilegal de arma de fogo. (Ofício 062/07 GAB/DPF/CAC/PR de 20 de setembro de 2007).

Ainda assim, a transnacional continuou utilizando os serviços da NF Segurança e pagando para que a mesma ameaçasse os trabalhadores rurais da região. A contratação de milícias privadas configura a formação de grupos paramilitares e é vedada pela Constituição Federal em seu artigo 5º, inciso XVII, além de configurar crime de formação de bando ou quadrilha.

Segue carta encaminhada pelas organizações:

Excelentíssimo Senhor Ministro da Justiça Tarso Genro Excelentíssimo Senhor Governador do Estado do Paraná Roberto Requião

Senhor Ministro Senhor Governador

As organizações de Direitos Humanos abaixo mencionadas, vêm manifestar o seu profundo pesar pela tragédia ocorrida no município de Santa Tereza do Oeste, estado do Paraná.

Durante um ataque de homens armados contratados pela empresa Syngenta Seeds, foi assassinado um militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, Valmir Mota de Oliveira e atingido por disparos um segurança da empresa NF Segurança, possivelmente por disparos deflarados pelos próprios seguranças durante o ataque.

Ressaltamos que a situação no local continua tensa. Os trabalhadores sem terra acampados na região e especialmente as lideranças do MST Celso Barbosa e Célia Aparecida Lourenço R11; que foram perseguidos pelos pistoleiros durante o ataque - permanecem sob ameaça. É essencial que sejam tomadas medidas para garantir sua segurança e evitar novo assassinato.

A transnacional Syngenta Seeds deve ser responsabilizada pelos fatos ocorridos.

Apesar de conhecer a questão agrária brasileira, em que a atuação das milícias privadas no campo é uma das maiores causas da violência contra trabalhadores rurais, a Syngenta contratou, pagou e determinou que uma empresa de segurança; atacasse os trabalhadores acampados no Campo Experimental em que a transnacional desenvolvera experimentos ilegais até março de 2006, admitindo o risco de que ocorressem violações de Direitos Humanos.

A tragédia ocorrida no último domingo não foi o primeiro ato de violência dos seguranças contratados pela Syngenta.

Em dezembro de 2006, quando proprietários rurais organizados pela Sociedade Rural do Oeste do Paraná, agrediram militantes do MST em Cascavel, funcionários da empresa Syngenta foram reconhecidos entre os agressores.

No dia 20 de julho no assentamento Olga Benário, localizado ao lado da fazenda experimental da Syngenta, famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram gravemente ameaçadas por ;seguranças; fortemente armados, contratados pela referida empresa multinacional.

Conforme depoimento no Boletim de Ocorrência registrado na Delegacia de Santa Tereza do Oeste, sob o n° 108/07, seguranças da empresa Syngenta invadiram seu terreno, e lá permaneceram por mais ou menos uns quarenta minutos. Segundo relatos dos agricultores, estes indivíduos efetuaram disparos de arma de fogo de grosso calibre durante a noite, sendo que ameaçaram inclusive crianças do local. Relataram ainda que os seguranças; apontaram e até mesmo engatilharam as armas de fogo contra a senhora CARMéLIA PADILHA PEREIRA (conforme cópia do boletim de ocorrência que segue em anexo). Ao final, atiraram contra uma bandeira do MST, e a levaram embora como forma de intimidar as famílias.

Organizações de Direitos Humanos denunciaram este fato e a Polícia Federal realizou uma operação em que chegou a ser presa, sob acusação de porte de armas e munições ilegais, uma das proprietárias da empresa de Segurança, srª Maria Ivanete Campos de Freitas. Um inquérito policial (383/07) foi instaurado para apurar os fatos. Conforme informação da Policia Federal, assinada pelo Delegado José Alberto de Freitas Iegas, ;a maioria das pessoas contratadas pela empresa NF não têm capacitação/autorização para atuarem como seguranças particulares, agindo assim na ilegalidade, e, inclusive, conforme consta nos depoimentos dos integrantes do Movimento Sem Terra, vários deles vem incorrendo no crime de Porte ilegal de arma de fogoR21;. (Ofício 062/07 GAB/DPF/CAC/PR de 20 de setembro de 2007).

Ainda assim, a transnacional continuou utilizando os serviços da NF Segurança e pagando para que a mesma ameaçasse os trabalhadores rurais da região. A contratação de milícias privadas configura a formação de grupos paramilitares e é vedada pela Constituição Federal em seu artigo 5º, inciso XVII, além de configurar crime de formação de bando ou quadrilha.

Assim, esperamos que o Estado brasileiro tome as providências cabíveis para punir a empresa Syngenta Seeds, para que crimes como este não permaneçam impunes.

Atenciosamente,

Ação Educativa Associação Brasileira pela Reforma Agrária - ABRA Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos R11; ABRANDH CEAP Centro de Educação e Assessoramento Popular Comissão de Direitos Humanos e Minorias - Câmara dos Deputados Conselho Nacional de Igrejas Cristãs R11; CONIC Centro de Justiça Global Fala Preta FASE - Solidariedade e Educação FIAN Brasil Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais Terra de Direitos

Milícias do Paraná afrontam parlamentares

Assassinato de militante da Via Campesina no último domingo foi premeditado e avisado, acredita do Deputado Adão Pretto

adao_pretto Amanhã (24), o deputado Adão Pretto (PT/RS), representando o Núcleo Agrário do PT, o deputado Dr Rosinha (PT/PR), representando a Frente da Terra e o senador Sibá Machado terão uma audiência com o ministro da Justiça, Tarso Genro para pedir que a formação de milícias privadas no Estado do Paraná para conter os Movimentos Sociais do campo seja tratado como prioridade pelo ministério. No último domingo (21), o militante da Via Campesina, Valmir Mota foi executado a queima roupa com dois tiros no peito, seis trabalhadores ficaram gravemente feridos durante um ataque de uma milícia com cerca de 40 pistoleiros ao acampamento do campo de experimento da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste/PR. No confronto, um dos seguranças que fez o ataque, Fábio Ferreira, também morreu.

Para o deputado federal Adão Pretto (PT/RS) o assassinato de Mota foi uma afronta aos parlamentares que no último dia 18 de outubro estiveram em Curitiba para participarem de audiências públicas que denunciaram a ação de milícias armadas contratadas pelos ruralistas paranaenses. “Estivemos em três audiências representando a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e lá eles já afirmaram que iam contratar seguranças para promover o despejo dos militantes que ocuparem as áreas improdutivas do Paraná”, disse.

A área da Syngenta foi reocupada na manhã do dia 21 por cerca 150 pessoas da Via Campesina. O campo de experimento da empresa havia sido ocupado pelos camponeses em março de 2006, para denunciar o cultivo ilegal de reprodução de sementes transgênicas de soja e milho. A ocupação tornou os crimes da transnacional conhecidos em todo o mundo. Após 16 meses de resistência no dia 18 de julho, deste ano, as 70 famílias desocuparam a área, se deslocando para um local provisório no assentamento Olga Benário, também em Santa Tereza do Oeste.

Na reocupação os trabalhadores rurais soltaram fogos de artifício e os seguranças, que estavam na fazenda abandoram o local. Por volta da 13h30, um micro ônibus parou em frente ao portão de entrada, uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados, desceu atirando em direção as pessoas que se encontravam no local. Arrombaram o portão, executaram o militante Valmir Mota com dois tiros, balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de Souza, que encontra-se hospitalizada gravemente ferida.

A Syngenta contratava serviços de segurança que atuavam de forma irregular na região articulados com a Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR). Uma das diretoras da empresa de segurança NF, foi presa e o proprietário fugiu durante uma operação da Polícia Federal no mês de outubro, onde foram apreendidos munições e armas ilegais.

Há indícios de que a empresa é contratada de fachada, e que na hora das operações são contratados mais seguranças de forma ilegal, formando uma milícia armada que atua praticando despejos violentos e ataques a acampamentos na região.

Escute o aúdio e abaixo, conheça os casos denunciados na audiência em Curitiba:

Conheça os casos

1) Existência de milícias privadas no campo

Um dos casos a serem apresentados na Audiência sobre este tema, trata dos ataques de milícias privadas contra trabalhadores rurais na Fazenda Videira - na Região Noroeste. A fazenda Videira foi ocupada por 500 famílias de trabalhadores rurais no dia 06 de março com o objetivo de agilizar o processo de Reforma Agrária, já que havia sido considerada improdutiva pelo Incra desapropriada.

Na madrugada do dia 09 de março de 2007, os trabalhadores rurais pertencentes ao MST sofreram tentativa de despejo ilegal por uma milícia privada fortemente armada. Três trabalhadores ficaram feridos e a polícia prendeu 10 pistoleiros, que confessaram terem sido contratados para expulsar os acampados da Fazenda Videira. Os pistoleiros eram do Mato Grosso e foram liberados após a instauração da Ação Penal.

Após o ocorrido, no dia 17 de maio, houve um novo ataque de pistoleiros que efetuaram vários tiros na direção dos barracos. Os pistoleiros rondaram o acampamento durante toda madrugada e qualquer movimento das famílias resultava em disparos contra as mesmas, situação que permaneceu até de manhã. Apesar de ter sido chamada durante o ataque, a polícia chegou ao local somente pela manhã e não conseguiu identificar ninguém.

Também na região oeste do Estado, nas Cidades de Cascavel e Santa Tereza tem sido palco da atuação de milícias privadas, contratadas pela Sociedade Rural do Oeste (SRO) e pelos próprios membros da entidade ruralista.

A Terra de Direitos relatará a denúncia da formação do MPR ( Movimento dos Produtores Rurais), por iniciativa de ruralistas como Alessandro Meneghel – Presidente da Sociedade Rural do Oeste. O MPR explicita seu objetivo de patrocinar milícias privadas contra trabalhadores rurais sem terra e promover ações de desocupações ilegais em áreas ocupadas pelos trabalhadores.

A Primeira ação do MPR ocorreu em 21 de abril de 2007, quando um grupo de "seguranças" contratados pela entidade ruralista promoveu ilegalmente a desocupação da fazenda Gasparetto, em Lindoeste, ocupada por 60 famílias do MLST ( Movimento de Libertação dos Sem Terra) deixando vários feridos. A milícia foi contratada com dinheiro arrecadado pelo MPR, por um fundo criado pelo referido movimento.

2) CPI das Invasões

A Terra de Direitos representa também a denúncia enviada para a CDHM, sobre a criminalização dos movimentos sociais na realização da entitulada “CPI das Invasões”, na Câmara Municipal de Curitiba.

Crimes imputados aos líderes dos movimentos de luta pela moradia e a proposta de ampliação dos poderes da guarda municipal fazem parte das conclusões finais dos trabalhos da chamada “CPI das Invasões”. Conclusões estas que sinalizam que tudo terminou como começou: tratando os movimentos de luta pela moradia como quadrilhas e os seu líderes como criminosos. O Relatório final foi apresentado neste dia 13 de agosto de 2007, com apenas um voto contrário, da Vereadora Roseli Isidoro (PT).

Para indiciar os acusados, os membros da CPI se utilizam de documentos discriminadores e ilegais “fabricados” pela própria Prefeitura de Curitiba. Cita-se no relatório que o principal documento que serviu de subsídio para levantar os indícios, foram os dossiês apresentados por funcionários da Prefeitura. Logo que o dossiê foi apresentado, os representantes da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) divulgaram nota pública repudiando o método de “arapongagem” utilizado. O argumento se apóia na ilegalidade e abuso do referido dossiê, por utilizar imagens não autorizadas das pessoas, das suas casas e o relato de suas atuações. O que mais assusta os representantes de movimentos sociais que tiveram acesso ao dossiê, é que a Prefeitura ao elaborar este tipo de material levanta suspeita sobre um suposto serviço de investigação aos moldes dos tempos da ditadura e ainda pago com dinheiro público.

No Relatório final, uma lista de crimes imputados às lideranças dos que lutam por moradia digna caracterizam mais uma vez a tentativa de criminalização dos movimentos sociais em Curitiba. A ação legítima dos cidadãos que precisam de moradia já foi inúmeras vezes apurada em processos judiciais que inocentaram moradores e comissões de direitos humanos, como os especialistas do Grupo de Expertos em Despejos Forçados da ONU – AGFE/ONU – que fez uma Audiência Pública em Curitiba em fevereiro de 2005, e que, além de repudiar as ações da Prefeitura e do Governo do Paraná, propôs uma conciliação entre as partes e a assinatura do Termo Curitiba Livre de Despejos, que foi desprezado pela Prefeitura de Curitiba e pela Câmara de Vereadores.

Na contramão do repúdio à violência, os vereadores que apóiam o Prefeito Beto Richa, propõem nos trabalhos finais da CPI ampliar os poderes da Guarda Municipal. Com o argumento de “descongestionar o trabalho da Secretaria de Segurança Pública e agilizar os despejos”, ao final do relatório sugere-se que seja feita uma alteração na Lei Federal e nas respectivas Leis Municipais para que a Guarda Municipal de Curitiba atenda casos judiciais de reintegração de posse de imóveis no âmbito municipal. Diz o relatório “que a idéia está fundamentada na Lei Federal 6.766/79 que remete ao Município a obrigação de fiscalização do solo para não formação de loteamentos clandestinos(...) e para então em casos de mandados judiciais transitados e julgados pela reintegração de posse que seja chamada a Guarda Municipal de Curitiba para a retirada de invasores.”

 

 Deputado quer que PF investigue empresa de segurança de fazenda invadida por sem-terra

da Folha Online

O deputado Dr. Rosinha (PT-PR), coordenador da Frente Parlamentar da Terra, defendeu nesta segunda-feira que a Polícia Federal investigue a atuação da empresa de segurança contratada pela fazenda experimental da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste (540 km de Curitiba-PR). Ontem, duas pessoas morreram e oito ficaram feridas durante confronto entre trabalhadores rurais sem-terra e seguranças da fazenda.

A fazenda foi invadida ontem pela manhã por aproximadamente 200 integrantes da Via Campesina e do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Durante o confronto, foram mortos Valmir Mota de Oliveira, 32, conhecido como Keno, um dos principais líderes do MST na região oeste do Paraná, e o segurança Fábio Ferreira, 25.

Dr. Rosinha quer que a PF investigue a atuação e o financiamento de que chamou de "milícias privadas no interior do Paraná". Segundo relato do parlamentar, dezenas de seguranças da empresa NF Segurança S/C Ltda. "atacaram" ontem à noite cerca de 150 trabalhadores sem-terra ligados à Via Compesina e ao MST.

"O Ministério da Justiça e a Polícia Federal devem investigar com prioridade máxima a atuação desses verdadeiros grupos paramilitares instalados no Paraná. É preciso punir principalmente aqueles que os financiam, sejam eles brasileiros ou estrangeiros", disse o deputado por meio de nota divulgada nesta segunda-feira.

A assessoria da Syngenta explicou que em nenhum momento a direção da multinacional autorizou o uso de força ou de arma de fogo de "qualquer espécie" para manter a segurança da unidade.

Segundo a assessoria, a empresa "refuta com veemência" qualquer declaração do MST ou da Via Campesina de que a multinacional teria dado ordem para que os seguranças disparassem contra qualquer pessoa.

Por meio da assessoria, a empresa ressaltou que está "profundamente chocada e lamenta que seres humanos tenham sido feridos ou mortos". "Continuaremos colaborando com as autoridades locais para esclarecer o que de fato ocorreu na unidade", diz a empresa.

Além de defender a investigação da empresa de segurança, Dr. Rosinha disse que a Frente Parlamentar da Terra --que segundo ele reúne cerca de 180 deputados federais favoráveis à reforma agrária-- também enviou um ofício ao embaixador da Suíça no Brasil, Rudolf Bärfuss. No documento, os parlamentares solicitam uma audiência para discutir atuação da Syngenta no país.

Com Agência Folha

 Conflito no campo mata dois

Correio Braziliense - 23/10/2007

Líder do MST e segurança particular de multinacional suíça morrem em área ocupada por sem-terra. Sete vigilantes foram presos. Para polícia, “ação tresloucada” causou a tragédia

Duas pessoas morreram e oito ficaram feridas durante a reocupação, por cerca de 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da fazenda experimental da multinacional suíça Syngenta, localizada em Santa Tereza do Oeste, no Paraná, na manhã de domingo. No tiroteio entre integrantes do MST e seguranças particulares contratados pela multinacional, morreram o líder sem-terra e integrante da Via Campesina Valmir Mota de Oliveira, conhecido como Keno, 42 anos, atingido por dois tiros no peito, e Fábio Ferreira de Souza, segurança da Syngenta, baleado na cabeça.

No confronto, ficaram gravemente feridos os seguranças Vanderlei Giraldi, Rodrigo Oliveira Ambrósio e Marcelo Victor Stevens e a integrante do MST Isabel Maria Nascimento Souza. Também receberam atendimento médico os sem-terra Adilson Alves Cartin, Jonas Gomes de Queiroz, Gentil Couto Vieira e Udson Alves Cardin. A polícia prendeu em flagrante sete seguranças da empresa, que prestaram depoimento e continuam detidos. Além disso, nove integrantes do MST foram ouvidos devido à dificuldade em identificar a autoria dos disparos.

Ontem, o clima era de indignação no velório do sem-terra Keno, que foi enterrado em Cascavel. O chefe da Polícia Civil, Celso José Mello, afirma que os seguranças, os sem-terra e a empresa Syngenta serão responsabilizados. Durante o depoimento, os seguranças confirmaram a participação na tentativa de retomada. Os seguranças, que teriam chegado num ônibus escolar à fazenda na tarde de domingo, fugiram a pé depois do tiroteio. Eles foram encontrados e presos num barracão abandonado a cerca de 6km da fazenda.

O MST e a Via Campesina, enfurecidos, divulgaram nota acusando a empresa suíça de mandar uma “milícia armada” com cerca de 40 homens para assassinar o líder sem-terra. Alegaram que “lideranças do agronegócio do oeste do Paraná” haviam feito repetidas ameaças de morte contra Keno e outras lideranças das duas entidades.

Quadrilha

“A verdade é uma só. As pessoas direta e indiretamente envolvidas vão ser responsabilizadas. Houve uma ação tresloucada e impensada de 25 pessoas tentando expulsar 200 integrantes do MST”, afirmou o chefe da Polícia Civil. Em nota oficial, a Syngenta lamentou o caso e afirma estar colaborando com as autoridades, mas argumentou que “a política global da companhia determina que não se use força ou armas para proteger suas unidades”. Mello, no entanto, aponta que apreendeu uma arma durante a prisão dos seguranças privados e está recolhendo projéteis para que a perícia defina a autoria dos disparos que causaram as duas mortes. Os seguranças particulares foram autuados por formação de quadrilha, homicídio e exercício arbitrário das funções.

A fazenda da Syngenta foi ocupada pela primeira vez em março de 2006 por integrantes da Via Campesina com o objetivo de denunciar o “cultivo ilegal” de sementes transgênicas de soja e milho. Após 16 meses, as 70 famílias desocuparam a área em julho deste ano, deslocando-se para um local provisório no assentamento Olga Benário, também em Santa Tereza do Oeste. A Via Campesina negou ter mantido reféns no local. A organização quer que a área seja transformada em Centro de Agroecologia e de reprodução de sementes para a agricultura familiar e a reforma agrária.

 

 

 
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