O assassinato do líder
guarani-caiouá Dorvalino Rocha, no último sábado,
no Mato Grosso do Sul, expõe a fragilidade da política
indigenista do governo Lula, na avaliação de
organizações não-governamentais. Segurança
de fazendeiros diz que matou líder guarani-caiouá, em
Mato Grosso do Sul, em legítima defesa. Cimi lança
críticas ao governo Lula e diz que média de
legalização de terras é a menor dos últimos
20 anos
André Carravilla
Correio Braziliense
| Antônio Viegas/Correio do Estado |
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Garantia: o presidente da Funai (de
calça azul) e o ministro Paulo Vanucchi querem a revisão
da liminar concedida pelo STF contra os índios
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Fim
do mistério. Quatro dias depois da morte do líder
guarani-caiouá Dorvalino Rocha, em Antônio João, a
300km de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal
descobriu o nome do assassino: João Carlos Gimenez Brites.
Segurança contratado pelos fazendeiros da região para
impedir possíveis invasões de terras pelos índios,
ele se apresentou no fim da tarde da terça-feira e confessou o
crime. Brites foi indiciado por homicídio doloso (com
intenção de matar) e pode ser condenado de seis a 20 anos
de prisão.
Apesar de confessar o crime, o segurança vai responder ao
processo em liberdade. A polícia não viu razões
para prendê-lo, já que não houve flagrante.
Além disso, há outros atenuantes: o acusado tem
endereço fixo, sem antecedentes criminais e apresentou-se
à polícia. A delegada Penélope Gama, que preside o
inquérito e coordena o trabalho das três equipes que atuam
na região, disse que os depoimentos dos colegas de Brites
já o indicavam como autor dos disparos. “Ele era o chefe
da equipe e o único com autorização para portar
uma arma”, afirmou a policial.
Brites alegou legítima defesa. Disse que foi cercado pelos
índios quando tentava entrar no carro da Gaspem, a empresa de
segurança contratada pelo fazendeiros. Para assustar os
guaranis-caiouás que o estariam ameaçando, atirou contra
o chão. A delegada disse que ainda não recebeu o laudo do
Instituto Médico Legal (IML), mas foi informada que o
líder indígena foi atingido no peito.
Os índios contestam a versão de que o
segurança foi cercado. “O Dorvalino estava só com o
cunhado, como é que duas pessoas iam cercar um carro com quatro
pessoas dentro?”, questionou a líder guarani-caiouá
Léia Aquino, que integra a Comissão Direitos
Indígenas. “Eles desceram e já foram
atirando”, disse. A denúncia dela é baseada no
relato de um terceiro índio que testemunhou o crime.
Para a delegada, a confissão de Brites não encerra as
investigações. Ela ainda pretende ouvir colegas de
trabalho do assassino confesso e colher depoimentos de índios
que testemunharam o crime. Para a polícia, até agora
não existem indícios de que o segurança tenha
agido a mando de algum fazendeiro, mas ainda é cedo para
descartar a hipótese. “Por enquanto não há
nada que leve a essa conclusão, mas ainda vamos
investigar”, afirma.
Briga jurídica
Os fazendeiros de Antonio João disputam com os 450
índios guaranis-caiouás a posse de 9,3 mil hectares da
área conhecida como Nhanderu Marangatu, que já foi
reconhecida e homologada pelo governo federal como área
indígena. Os donos das fazendas Fronteira, Pequiri, Santa
Creuza, Ita Brasília e Morro Alto conseguiram uma liminar
assinada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson
Jobim, suspendendo temporariamente a homologação. No
último dia 15, os índios foram retirados das terras em
uma ação da Polícia Federal e desde então
estão acampados na estrada de terra que dá acesso
às fazendas.
Em visita à região na última
terça-feira, o secretário Especial de Direitos Humanos,
Paulo Vannuchi, disse que o governo federal vai trabalhar para que o
Supremo reveja a decisão. Ele anunciou que os departamentos
jurídicos do Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária (Incra) e da Fundação Nacional do
Índio (Funai) foram acionados para recorrer da decisão.
Vannuchi foi à região acompanhado do presidente da Funai,
Mércio Pereira Gomes e de dois delegados da Polícia
Federal.
Ambos deixaram o local prometendo alimentos para os índios,
um local provisório para abrigar as famílias que deixaram
as suas terras na região de Antônio João,
reforço na segurança e rigor nas
investigações do assassinato do índio. Os
índios receberam cestas de alimento do Ministério do
Desenvolvimento Social. A água chega por meio de um encanamento
vindo da Vila Campestre, mas é insuficiente para suprir todas as
necessidades.
O número
Desterrados
450 índios guaranis-caouás estão vivendo em acampamento improvisado
Regularizações estão em ritmo lento, diz ONG
O assassinato do líder
guarani-caiouá Dorvalino Rocha, no último sábado,
no Mato Grosso do Sul, expõe a fragilidade da política
indigenista do governo Lula, na avaliação de
organizações não-governamentais. “O que
está sendo feito é menos do que nos governos anteriores.
Na época do (presidente João) Figueiredo, a média
era de oito portarias declaratórias por ano. No governo Lula, a
média é de seis”, critica Saulo Feitosa,
vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi),
entidade ligada à Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB).
O aumento do ritmo das regularizações era uma das
principais reivindicações das etnias durante o chamado
Abril Indígena, nome dado aos protestos realizados por
índios, há oitos meses, em diferentes partes do
país.
“O governo manipula os dados. O que eles fazem é
homologar terras que já foram declaradas indígenas. Isso
não representa nenhum ônus político ou financeiro
para o governo federal”, lamenta Feitosa. O vice-presidente do
Cimi lembra que o processo de regularização passa por
quatro etapas: a Funai deve fazer um estudo fundiário e demarcar
as terras, o ministério da Justiça publica a portaria
declaratória e o presidente homologa as terras. “Só
a homologação não quer dizer nada. A parte
difícil já foi feita”, sustenta.
Em entrevistas recentes à imprensa, o presidente da
Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio
Pereira Gomes, disse que desde 2003 foram homologadas 53 terras
indígenas e que esses números superam os dos
últimos governos. No Ministério da Justiça, a
assessoria informou que, devido ao recesso de final de ano, não
havia quem pudesse rebater as críticas do Cimi.
Os representantes das 30 etnias que estiveram em Brasília
durante o manifesto Abril Indígena peregrinaram pelos principais
gabinetes da capital, entre eles os do presidente da Funai e do
ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Queriam saber
do governo quais eram as iniciativas para a melhoria da qualidade de
vida dos povos. Saíram da capital federal apenas com promessas.
Levantamento divulgado este mês pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que as
condições de vida nas aldeias são mais
precárias do que a média nacional. Apenas 16% das
comunidades indígenas contam com abastecimento de água e
3,3% com a coleta de lixo.
Promessas
Durante o Abril Indígena, além de cobrarem maior
agilidade no processo de regularização, os povos
indígenas exigiram a criação do Conselho Nacional
de Política Indigenista, compromisso assumido pelo então
candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva,
em 2002. Pela proposta de campanha, o conselho teria poder deliberativo
e seria formado por índios, entidades não-governamentais
e representantes do governo. Ao todo, seriam 53 integrantes. A
idéia era que o grupo coordenasse as ações que
hoje estão dissolvidas entre vários ministérios e
fundações, como a Funai e a Fundação
Nacional de Saúde (Funasa). Os índios acusam a Funasa de
maus-tratos e consideram o órgão responsável pelas
mortes de 21 crianças indígenas, na aldeia Pacurity, a
30km de Dourados (MS), no início do ano. Todas as
crianças foram vítimas de desnutrição.
Até agora não há previsão de o conselho
ser criado. O governo acena apenas com a instalação da
Comissão Nacional de Política Indigenista, que teria 15
integrantes, funcionaria por tempo determinado e não teria poder
deliberativo. A idéia, contudo, desagrada às
organizações da sociedade civil. (AC)
BRASIL - QUADRO-RESUMO DAS TERRAS INDÍGENAS (Atualizado em 24/10/2005)
|
SITUAÇÃO |
Nº. DE TERRAS |
% |
|
Registradas |
323 |
38 |
|
Homologadas |
54 |
6,35 |
|
Declaradas |
39 |
4,59 |
|
Identificadas |
37 |
4,35 |
|
A Identificar |
134 |
15,76 |
|
Sem Providências |
229 |
26,94 |
|
Reservadas/Dominiais |
34 |
4 |
|
TOTAL |
850 |
100,00 |
QUADRO GERAL DAS TERRAS INDÍGENAS POR ESTADOS
UF |
Reg |
Hom |
Dec |
Ident |
A Ident |
Res |
Sem Prov |
Total |
|
AC |
24 |
1 |
1 |
1 |
9 |
1 |
2 |
39 |
|
AL |
2 |
0 |
0 |
1 |
2 |
4 |
4 |
13 |
|
AM |
83 |
26 |
11 |
9 |
52 |
0 |
20 |
201 |
|
AP |
4 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
1 |
5 |
|
BA |
9 |
0 |
2 |
0 |
5 |
5 |
4 |
25 |
|
CE |
0 |
1 |
1 |
3 |
2 |
0 |
5 |
12 |
|
ES |
3 |
1 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
4 |
|
GO |
4 |
0 |
1 |
0 |
0 |
0 |
1 |
6 |
|
MA |
13 |
3 |
0 |
0 |
1 |
0 |
0 |
17 |
|
MG |
4 |
1 |
0 |
0 |
1 |
0 |
3 |
9 |
|
MT |
48 |
1 |
2 |
5 |
13 |
1 |
18 |
88 |
|
MS |
17 |
5 |
3 |
3 |
10 |
8 |
74 |
120 |
|
PA |
24 |
1 |
7 |
2 |
25 |
3 |
20 |
82 |
|
PB |
2 |
0 |
0 |
1 |
0 |
0 |
0 |
3 |
|
PE |
4 |
1 |
2 |
0 |
2 |
2 |
3 |
14 |
|
PR |
8 |
1 |
0 |
3 |
1 |
6 |
13 |
32 |
|
RJ |
3 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
3 |
|
RO |
16 |
0 |
1 |
0 |
1 |
0 |
17 |
35 |
|
RR |
21 |
8 |
0 |
1 |
0 |
0 |
0 |
30 |
|
RS |
15 |
1 |
3 |
2 |
4 |
0 |
32 |
57 |
|
SC |
3 |
1 |
3 |
4 |
3 |
4 |
7 |
25 |
|
SP |
9 |
2 |
1 |
2 |
1 |
0 |
5 |
20 |
|
SE |
1 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
1 |
|
TO |
6 |
0 |
1 |
0 |
2 |
0 |
0 |
9 |
|
TOTAL |
323 |
54 |
39 |
37 |
134 |
34 |
229 |
850 |
Reg: Registradas - Hom: Homologadas - Dec: Declaradas - Ident: Identificadas A ident: A identificar - Res: Reservadas - Sem Prov: Sem Providências |
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Guarani-Kaiowá fazem cobranças depois da morte de mais uma liderança
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Mais uma liderança indígena é dizimada no Mato
Grosso do Sul. Autor do crime se entregou à PF e disse que
atirou em "legítima defesa". Povo pede apuração do
caso e resolução na Justiça para o conflito
fundiário. Ministro visitou a área e prometeu
série de providências. |
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Jonas Valente - Carta Maior 29/12/2005
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Brasília
- Há cinco dias (24), em plena véspera de natal, foi
registrado o 35º assassinato de indígenas no Brasil neste
ano. Desta vez, a vítima foi Dorvalino Rocha, líder do
povo Guarani-Kaiowá, morto no município de Antônio
João, a 300 Km de Campo Grande. Rocha foi atingido por disparos
de arma de fogo empunhada por João Carlos Gimenez.
segurança de fazendeiros da região que se entregou na
última terça-feira (28) à Polícia Federal
(PF) em Ponta Porã-MS. Os representantes dos
Guarani-Kaiowá e entidades indigenistas cobram agora
providências não somente para que o caso seja apurado, mas
na resolução da situação do povo, que sofre
com as investidas (leia também: PF despeja 700 no Mato Grosso do Sul por intransigência do STF e Kaiowás ameaçados de despejo prometem resistir “até a morte”) sobre a Terra Indígena Nhanderu Marangatu, homologadas pelo presidente Lula em março de 2005.
A violência tem sido constante na vida dos
Guarani-Kaiowá. Segundo dados do Conselho Indigenista
Missionário (Cimi), dos 35 assassinatos envolvendo
indígenas registrados este ano, 25 ocorreram no Mato Grosso do
Sul. As disputas judiciais pelos 9,3 mil hectares ocupados pelo povo
corroboram para que a situação dos indígenas seja
de extrema gravidade. "No Mato Grosso do Sul, criou-se uma estrutura
fundiária baseada na grande propriedade rural, que se constitui
com a usurpação das terras indígenas por
fazendeiros preconceituosos e pelo desalojamento dos pequenos
agricultores. Isso leva a uma negação permanente dos
direitos dos povos indígenas a suas terras tradicionais. Este
contexto abre espaço para a violência que se vê em
todo o Estado", explica Egon Heck, representante do Cimi no estado. A tensão aumentou ainda mais após o presidente
do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, ter concedido no
último dia 15 liminar favorável à
reintegração de posse para fazendeiros da região
mesmo após a terra dos indígenas ter sido homologada pelo
Governo Federal. "Há uma forte influência desses
fazendeiros, desse setor econômico, sobre o Poder
Judiciário. Os membros desse Poder às vezes vêm
desse setor. Outras vezes são ligados a ele, e isto gera
decisões judiciais que normalmente são
desfavoráveis aos índios e favoráveis a esta
estrutura implantada. A pressão que existe para manter esta
realidade de concentração de terras e do poder
econômico baseado nela cria uma tensão permanente contra
os indígenas", avalia Heck. Como na maioria dos crimes cometidos este ano, os
indígenas lutam agora para garantir uma punição
efetiva dos culpados. Isso significa provar o assassinato intencional e
chegar aos mandantes, que geralmente são os donos de terras
interessados na expulsão dos povos de suas terras. Seguindo a
infeliz rotina dos crimes contra indígenas, mais uma vez os
acusados negam qualquer intenção e defendem a tese de
legítima defesa. Foi a versão apresentada pelo autor dos
disparos, João Carlos Gimenez. Segundo Gimenez, ele e mais três funcionários
estavam tentando entrar num carro da empresa de segurança Gaspem
quando foram cercados por um grupo de indígenas. Para assustar
os Guarani-Kaiowá e garantir a sua partida, Gimenez teria
atirado para o chão. O relato foi duramente contestado pelos
indígenas, que defendem a versão de crime premeditado. "O
Dorvalino estava só com o cunhado, como é que duas
pessoas iam cercar um carro com quatro pessoas dentro? Eles desceram e
já foram atirando", disse a líder Guarani-Kaiowá
Léia Aquino, que integra a Comissão de Direitos
Indígenas, em entrevista ao jornal Correio Braziliense.
A Polícia Federal espera agora o resultado do exame de
corpo de delito que deve sair na próxima semana para tirar
conclusões mais precisas. "Iremos ver a análise sobre o
trajeto da bala para confirmar ou não a versão dos
envolvidos. De acordo com este resultado, novos depoimentos
serão tomados", afirma a delegada responsável pelo caso,
Penélope Automar. A delegada também creditou o crime
à tensa disputa vivida entre os Guarani-Kaiowá e os
fazendeiros da região. "Nós vivemos um problema
fundiário muito grande e ainda é uma disputa que
não tem uma resposta definitiva. Muitas vezes acontece de um
tribunal passar um posicionamento e haver recursos nos tribunais
superiores. Ao passar de um grupo para outro o problema vai se
acirrando e a tensão cresce", avalia. Providências
Já no dia 25, o recém-empossado ministro da
Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Paulo Vannuchi, foi ao
local do assassinato. Juntaram-se a ele também o presidente da
Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio
Pereira, e dois delegados da PF. Os representantes do governo fizeram
reuniões com os indígenas e as autoridades locais e
visitaram o local onde Dorvalino Rocha foi morto, onde assistiram mais
um ritual indígena de homenagem à sua liderança.
Os indígenas reforçaram a necessidade de garantia de
apuração efetiva do caso, uma vez que o judiciário
e a polícia da região têm ligação com
o poder econômico local, e providências para a
situação caótica vivida pelos
Guarani-Kaiowá. Após a liminar de reintegração de posse
concedida por Nelson Jobim, cerca de 500 dos 730 índios que
antes ocupavam o local foram despejados e permanecem em estruturas
precárias na beira de uma estrada. Na opinião do
presidente da Funai, a ida de autoridades do governo ao local já
foi uma sinalização de que serão tomadas
providências. "A presença de diferentes
órgãos do Estado colocou uma certa garantia de que
haverá um compromisso do governo brasileiro de apoiá-los
dentro do que estabelece a lei", disse para a Agência Brasil.
Em entrevista para a Carta Maior, Paulo Vannuchi informou
que já foram tomadas algumas providências no âmbito
do governo Federal. A Polícia Federal garantiu que fará
uma apuração séria e imparcial do caso, o
Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) irá garantir
cestas básicas por meio do programa Bolsa Família e a
Fundação Nacional de Saúde (Funasa)
reforçará o apoio aos indígenas. O governo do Mato
Grosso do Sul também se comprometeu a disponibilizar uma unidade
móvel da polícia para garantir a segurança dos
Guarani-Kaiowá desalojados de suas terras. Já a Funai se comprometeu a atuar junto ao STF para
tentar mudar a posição do presidente Jobim e reverter o
fato inédito da primeira sustação de
homologação de terra indígena da história
do país. A Funai também está tentando negociar
junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra) a desapropriação de uma terra
localizada em vila próxima à região antes ocupada
pelos indígenas. Monitoramento e pressão
Na avaliação do Conselho Indigenista
Missionário (Cimi), o desafio agora é manter a
vigilância constante e a mobilização em apoio
à causa indígena, principalmente na garantia do direito
à terra para os povos da região. Heck informa que a
entidade está preparando uma campanha para
sensibilização nacional e internacional sobre esse
direito, que incluirá uma grande assembléia no do povo
Guarani no início de 2006, com indígenas de todos os
países do Cone Sul da América Latina reunidos no Rio
Grande do Sul. "A questão de Nhanderu Marangatu certamente
estará presente, pois o julgamento do processo no Supremo
Tribunal Federal precisa acontecer na próxima reunião,
que deve ocorrer também em fevereiro", diz Heck. Na avaliação do missionário, os
defensores da causa indígena irão congregar a
ação junto ao STF com pressão local, pois é
nas localidades onde o Judiciário manifesta maior
ligação com o poder econômico. "Até
lá [a assembléia dos Guarani], pretendemos manter uma
presença mais sistemática em relação ao
Poder Judiciário, para ampliar a compreensão sobre a
questão dos Guarani e para que as decisões sejam tomadas
com maior conhecimento sobre a realidade". As disputas em curso, entretanto, não diminuem a
pressão das organizações para o que o governo
melhore sua política com relação às terras
indígenas, cuja lentidão tem contribuído para o
aumento da violência e da tensão de conflitos envolvendo
indígenas. |
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