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Crianças e Adolescentes
Tráfico de crianças e adolescentes para os EUA
| Tráfico de crianças e adolescentes para os EUA |
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| 10 de fevereiro de 2006 | ||||||||
Polícia Federal
desmonta quadrilha especializada em tráfico de crianças e adolescentes,
que já havia mandado para os Estados Unidos mais de 150 pessoas.
Dezessete suspeitos foram presos em sete estados brasileiros
Correio Braziliense (10/02/2006)
A líder da quadrilha, Fátima Eliane Taumaturgo de Mesquita, foi presa em Fortaleza. Os outros 16 detidos, entre eles, uma advogada, um tabelião e um policial militar, ficarão detidos pelos próximos cinco dias. Outras três estão foragidas. A PF vai pedir a prorrogação do prazo para os principais integrantes da quadrilha. De acordo com o chefe do Núcleo de Operações da Delegacia de Imigração, Felício Laterça, a quadrilha enviava as crianças para os EUA para que encontrassem os pais, todos imigrantes ilegais em território americano. O delegado não descarta a hipótese de que em alguns casos tenha ocorrido adoção internacional. As pessoas envolvidas no esquema, de acordo com a PF, têm alto padrão aquisitivo. Alguns são advogados e funcionários públicos, contratados pela quadrilha para fazerem o transporte, já que não têm dificuldades para conseguir o visto de turista no Consulado dos Estados Unidos. Os suspeitos de integrar a quadrilha serão indiciados por formação de quadrilha, falsidade ideológica e tráfico de crianças, crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. A pena pode chegar a 14 anos de prisão. A operação contou com a colaboração da Embaixada dos Estados Unidos. Segundo os investigadores federais envolvidos na operação, a quadrilha cobrava entre US$ 13 mil e US$ 15 mil por criança enviada ao país da América do Norte. A quadrilha providenciava novos documentos para esses imigrantes menores de idade, que eram levados por pessoas que se passavam por país. Estimativas iniciais da PF indicam que desde 2002 cerca de 150 pessoas foram enviadas para os EUA ilegalmente. Deste total, já foi possível identificar mais de 40 crianças, graças às investigações conjuntas com o Departamento de Imigração Americano. Constrangimento A PF considera que a ação da quadrilha internacional pode ser considerada, além de ilegal, também “imoral”. As crianças levadas para o território americano eram submetidas a constrangimentos. Todas tinham sua aparência modificada para que obter sucesso na entrevista realizada pelo consulado americano. Elas eram ensaiadas a fantasiar uma nova história de vida para viajar com os falsos pais, denominados “cegonhas”, alguns funcionários públicos e advogados. Por isso era possível garantir a aprovação do consulado para os falsos pais levar as crianças para o território americano. “Há casos em que reuniram pessoas com as mesmas características físicas, deram nomes novos e as embarcaram como se fossem uma família em viagem de férias. Era uma forma de mandar muita gente de uma só vez”, explicou o delegado. Em média, as crianças passavam três dias decorando a nova história com os acompanhantes. “A quadrilha movimentava milhões de dólares. A credibilidade do governo brasileiro está em jogo e houve transtorno psicológico para as crianças”, disse o delegado Felício Laterça. Ele contou que muitas crianças eram levadas para São Paulo, sob os cuidados de Maria Júlia Silva de Oliveira, também presa na capital paulista. O esquema era responsável pela falsificação de certidões de nascimentos para as crianças. Em alguns casos, adolescentes e os meninos eram registradas como filhos dos integrantes do grupo. Um dos suspeitos, o sargento da PM Billy Grahan Pimenta de Mendonça, tem 12 filhos registrados, seis gêmeos. A PF investiga o possível envolvimento de cartórios nos negócios fechados pela quadrilha. Além das crianças, também há indícios de que o esquema fazia o transporte de pessoas interessadas em conseguir uma ocupação nos Estados Unidos. Os integrantes da quadrilha se encarregavam de falsificar carteiras de trabalho e os interessados viajavam como babás das crianças. Os menores vinham principalmente de Minas Gerais e saíam do país pelos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, ou por Guarulhos, em São Paulo. Os pontos de entrada em território americano eram Miami, Nova York, Nova Jersey e Atlanta. Segundo a PF, as investigações vão continuar. As crianças que foram remetidas ilegalmente para os EUA poderão ser deportadas junto com os pais. Felício Laterça, delegado da Polícia Federal O número US$ 15mil era o preço cobrado pela quadrilha para cada criança enviada ilegalmente para os Estados Unidos
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